Autoria de Michael Schmitz
Acho que devo ter tido cerca de 12 experiências de trabalho diferentes antes de me licenciar.
Entre entrega de jornais e o ensino de inglês, também trabalhei na secretaria de uma escola, numa fábrica de lâmpadas, empacotei doces num armazém, ensinei Taekwondo, geri um hotel no horário nocturno, vendi serviços de webdesign, inseri dados para uma empresa farmacêutica, estagiei como tradutor, vendi licenças de software e fiz alguns serviços de consultoria para uma start-up.
Todas estas experiências ajudaram-me a entender o tipo de desafios que os trabalhadores e as empresas enfrentam nos seus esforços para serem bem sucedidos em cada área de actividade.
Voltando à questão acerca da felicidade, tu já deves saber um pouco acerca de determinada actividade e tens uma noção aproximada do funcionamento de muitas outras.
Até agora tudo bem. Há milhares de opções e é impossível saber muito acerca de tudo.
Mas se queres encontrar um emprego fora-de-série e muito bem pago, então a primeira coisa que poderás querer fazer será aprofundar os teus conhecimentos em determinada área de conhecimento.
Avalia as tuas opções antes de começares a concorrer.
Uma boa candidatura requer algum investimento da tua parte e após reflectires sobre a questão nº1, poderás encontrar diversas possibilidades em termos de carreira à tua espera – certamente não quererás perder tempo a enviar candidaturas para empregos que não valem o teu tempo.
Tornando as coisas mais fáceis, nós podemos classificar as diversas indústrias de acordo com a sua maturidade.
Estão em crescimento, estáveis ou em declínio?
Olhemos primeiro lugar para as indústrias em crescimento.
Estas estão normalmente relacionadas com tecnologias de informação, biologia ou energia e requerem determinadas competências (actualmente com forte procura) por parte de cada candidato.
São indústrias altamente apelativas mesmo que não pertenças ao grupo de engenheiros responsáveis pelo desenho e concepção dos produtos, pelo que poderás prestar outros serviços que ajudem estas empresas a tornarem-se bem sucedidas.
Quer sejas um educador (e sejas por exemplo responsável pela gestão do seu parque infantil ou apoies a gestão de outro modo), tenhas estudado psicologia (métricas de RH) ou design (desenho de interfaces de utilizadores, layouts, desenho de processos e procedimentos), poderás ver as tuas competências valorizadas se as souberes adaptar a diferentes contextos relevantes para o sector a que te diriges.
As empresas que actuam neste sector têm as curvas de aprendizagem mais inclinadas – irás aprender rapidamente acerca de HTML, RNA e valores Betz CP, e invariavelmente terás que lidar com novos conceitos que não estão ainda completamente definidos.
A maior vantagem para ti reside na liberdade e crescimento pessoal que é possível conseguir nestes sectores de actividade.
Liberdade em termos do forma como podes desempenhar determinadas tarefas – e já que ninguém o fez antes – está associada com boas recompensas pessoais e financeiras se fores bem sucedido em acrescentar valor para a empresa.
Muito frequentemente, os pacotes salariais serão flexíveis e terão stock options associadas, que poderão resultar num salário mais baixo mas dando acesso a ganhos mais fortes no futuro quando a empresa crescer.
Adicionalmente, as tuas hipóteses de evoluir internamente é maior nessas indústrias uma vez que os volumes de negócios e a procura por pessoas mais qualificadas é também normalmente mais elevada – mesmo sem considerar que uma parte substancial do teu sucesso está directamente relacionada com o teu desempenho.
Startups e PME's conseguem mover-se e adaptar-se rapidamente, dependendo das necessidades do mercado e seguindo as tuas ideias, o que se torna muito mais difícil de conseguir numa grande empresa.
Se estás à procura de uma posição mais arriscada mas com um retorno potencial maior associado, então deverás juntar-te a uma start-up num dos sectores mais em voga actualmente.
Poderás até estar disposto a aceitar um salário mais baixo inicialmente para que possas desenhar o teu próprio papel no seio da organização – beneficiando mais quando a empresa crescer no futuro.
Indústrias maduras e estáveis poderão ser menos excitantes, mas serão certamente uma aposta mais segura.
Encontrarás uma organização interna pré-estabelecida, com sindicatos, horários de trabalho, um bom (ou pelo menos previsível) salário e um planeamento de carreira associado.
Se procuras estabilidade para a tua família, então deverás procurar as oportunidades existentes nestes sectores.
Quer seja banca, química, farmácia, educação (embora não se sabendo se neste particular os rendimentos se manterão estáveis, principalmente nas universidades), contabilidade, aconselhamento fiscal ou determinados tipos de engenharia, poderás esperar um determinado nível de rendimentos e oportunidades.
A maior parte dos cursos superiores foram desenhados para te capacitar a desempenhares estas posições e as tuas qualificações deverão ser adequadas aos seus requisitos.
A maior desvantagem neste caso é a dimensão das empresas e toda a carga burocrática e conjunto de procedidmentos e políticas existentes internamente.
Se te sentes feliz a trabalhar num ambiente regulado e previsível, com pouca margem de liberdade e inovação, então não há problemas – mas neste caso regista que a progressão da tua carreira poderá depender mais do facto de alguém acima de ti abandonar o lugar, do que do teu mérito pessoal.
Chegámos assim às indústrias em declínio.
Não te deixes contudo enganar pela atractividade das indústrias em crescimento – mesmo que uma indústria esteja em declínio, poderás ainda assim encontrar aí a tua oportunidade.
Pode-se tornar muito lucrativo tornares-te num especialista numa área em declínio – especialmente se muita gente se estiver a retirar e existirem poucas pessoas qualificadas para as substituirem.
No entanto, precisas de ter cuidado para não acabares com um conjunto de competências que não é transferível quando esse sector de actividade se esgotar completamente.
Também poderás ser surpreendido pela rapidez com que se dá o declínio, particularmente se pretendes trabalhar numa indústria altamente impopular, cujo destino é largamente decidido por políticos. Estou a pensar em energia nuclear, indústria farmacêutia ou tecnologia espacial (lembro-me por exemplo da NASA ou da Agência Espacial Europeia).
Se essa indústria em declínio for lucrativa talvez consigas manter um excelente salário, mas à medida que o mercado encolhe, as oportunidades de progressão serão cada vez menores.
Ainda assim, se gosta de tecnologias mais tradicionais ou julgas ter encontrado aí uma oportunidade, apenas te posso sugerir que verifiques as tuas opções.
No fim da linha, ganharás uma valiosa experiência e podes sempre tentar melhorar o teu conjunto de competências transferíveis (assunto sobre o qual iremos discutir noutro artigo) enquanto estás a trabalhar.
Deves analisar se as indústrias que te estão acessíveis estão em crescimento, maduras ou em declínio e se entrar numa delas pagará o teu tempo e o teu esforço.
Claro que poderás ganhar dinheiro em qualquer uma delas, contudo investir anos da tua vida sem conseguires crescer pessoalmente e tornares-te valorizado, poderá não ser a melhor opção.
Escolhe com sabedoria e tenta aprender o mais possível.
Idealmente, procura criar uma lista de questões abertas a serem respondidas por todos os sectores de actividade e oportunidades.
Poderás então começar a encontrar respostas a estas questões seguindo o caminho mais fácil: dá uma vista de olhos aos websites das empresas, lê relatórios sobre as diversas indústrias e comentários sobre determinados empregos e procura informação adicional na internet.
Uma abordagem ainda mais inteligente requer um pouco mais de esforço mas poderá trazer maiores recompensas: falar com especialistas.
Se estás interessado numa indústria sobre a qual os teus conhecimentos são limitados, então obteres primeiro informação através de pessoas já estabelecidas nestes sectores poderá ser o melhor caminho a seguir.
Faz uma lista de toda a informação que já deténs e escreve questões adicionais que só poderão ser respondidas por essas pessoas devido à sua experiência profissional.
Assim que tiveres um conjunto de 10 ou 15 boas questões procura as pessoas certas através da tua rede de contactos (vê o artigo sobre networking) e vai ao encontro delas.
Não importa se falas com os teus pais, a tua avó ou avó dos teus amigos, desde que consigas contactar com quem realmente conhece a indústria e esteja disposto a ajudar.
Vais descobrir que muitas pessoas estão dispostas a responder às tuas questões se sentirem que te preparaste, se fores educado e te concentrares naquilo que procuras ver respondido.
Elabora uma lista de contactos que te possam ajudar e escreve-lhes ou faz-lhes um telefonema.
Pede apenas 10 ou 15 minutos do seu tempo para te darem a oportunidade de ouvires os seus conselhos relativamente às tuas opções de carreira.
Melhor ainda, convida-os para almoçar (no seu local de trabalho ou num restaurante perto) e encontra-te pessoalmente com elas.
Se tiveres sorte, pode ser que eles se façam acompanhar de um colega de trabalho dando-te a oportunidade de aumentares a tua lista de contactos na empresa onde eles trabalham.
Vais trabalhar durante pelo menos os próximos 40 anos, pelo que investires algumas semanas a recolher este tipo de informação valerá certamente a pena – particularmente se deste esforço resultar uma excelente oferta de emprego.
Se deres estes passos correctamente, vais conseguir ter rapidamente uma boa perspectiva acerca da indústria que te interessa e dos papéis que estão disponíveis para desempenhares – o que nos traz ao próximo passo: Quais são as tuas limitações?