Autoria de Michael Schmitz
No momento em que me formei tive que tomar uma decisão de mudança na minha vida: Queria continuar na Alemanha, perto de casa e da minha família ou mudar-me para a Noruega, o Reino Unido ou mesmo para a Austrália, afectando os meus laços familiares para sempre?
Que países estariam perto o suficiente para ainda assim se qualificarem como casa? Quanto tempo é demasiado para passar a viajar?
Um escolha nada fácil de fazer quando o que pretendes é simultaneamente aproveitar a vida e construir a tua carreira – uma escolha que muitos fazem actualmente face à conjuntura económica que atravessamos.
Se estás prestes a escolher o teu primeiro emprego, poderás querer pensar nas coisas que te preocupam e são mais importantes para ti.
Eu sabia que não haveria problema em estar fora durante algumas semanas mas mudar-me completamente para o outro lado do mundo seria demasiado para mim – ao menos naquela momento da minha vida. Então tomei a minha decisão.
Que me permitiu reduzir substancialmente o âmbito geográfico da minha procura (a Austrália ficou de imediato excluída, mesmo sabendo que a indústria mineira oferece salários muito atractivos) e virei a minha atenção para tudo o que se encontrasse dentro de um raio de algumas centenas de quilómetros da minha terra natal. Verifiquei tempos de viagem, oportunidades de carreira, salários, impostos e benefícios entre dezenas de indústrias e ofertas de emprego.
No entanto, é importante primeiro alargares ao máximo o âmbito da tua procura, antes de começares a ter em conta os potenciais constrangimentos – no último artigo, falámos acerca da etapa de recolha de informação e a não ser que tu saibas o tipo de oportunidades esperam por ti mais à frente, poderá ser prematuro fechar à partida algumas portas.
Agora que conheces o ponto de situação de algumas indústrias e planos de carreira a nível global, podes então começar a filtrar.
O que é que estás disposto a fazer?
Para onde estás disposto a ir e que tipo de emprego pretendes conseguir?
Preferes sair à noite ou chegar cedo a casa todos os dias?
Ou queres atirar-te de cabeça e trabalhares 60 horas por semana até ficares completamente esgotado (enfim, não necessariamente chegares a esse ponto mas falamos acerca disto mais tarde)?
Estás disponível para viajar todos os dias, semanalmente ou apenas de vez em quando?
Achas que as tuas competências linguísticas poderão ser mais valorizadas noutros países?
Em caso afirmativo, quais os países que te interessam e para onde estás disposto a mudar-te?
É bastante fácil mudares-te para qualquer país no mundo, apenas pelo facto de seres um cidadão da União Europeia, mas poderás ter que aprender uma nova língua e deixar para trás a família e os amigos. Estás disposto a fazê-lo?
Tomar qualquer uma destas decisões não é algo que possas fazer rapidamente e sem reflexão.
Especialmente se já tiveres constituído família e não quiseres mudar-te sozinho, poderás ter que dedicar algum tempo a discutir todas as possibilidades.
O maior risco de um casal se mudar não está apenas relacionado com os teus sentimentos.
A felicidade de quem vive contigo poderá estar comprometida se essa pessoa não tiver ela própria as suas opções de carreira ou uma boa rede social à sua espera no país de destino.
Poderás também querer discutir diferentes etapas e reflectir acerca dos próximos movimentos apenas para experimentares.
Tenta por exemplo uma primeira experiência durante um ano e mantém as tuas opções em aberto.
Para além de pensares nos constrangimentos, poderás também querer pensar nos riscos.
O que é o pior que te poderá acontecer?
Tens medo de perder o teu lugar na tua equipa de futebol (este é um receio de vários estudantes que tenho conhecido)?
Tens medo de desapontar as pessoas que adaptaram o seu próprio dia-a-dia em função de ti ou que precisam da tua ajuda?
Podes ver-te em Nova Iorque sem recursos, perdido e confuso sem ninguém a quem recorrer?
Claro que vai sempre haver riscos, mas nem todos eles têm que ser encarados como um constrangimento.
A forma correcta de lidar com os riscos é analisando-os: procura compreender se é provável a sua ocorrência (baixa, média ou alta probabilidade de ocorrerem) e que tipo de danos te podem causar.
O que é que irás fazer para mitigar os danos se esses riscos se concretizarem?
Como é que podes minimizar as hipóteses dos riscos se concretizarem?
Na minha procura de emprego, passei uma boa parte do meu tempo a pensar sobre o que iria fazer se não gostasse da cidade para onde me iria mudar.
Quereria trazer a minha família?
Se eles mudassem os seus empregos para me seguirem teriam a possibilidade de voltarem atrás?
Se analisares este problema sob o ponto de vista dos dois níveis referidos acima (minimizar/mitigar), será mais fácil de encontrares um bom equilíbrio entre constrangimentos e oportunidades.
Seria uma pena perderes uma grande oportunidade apenas porque valorizaste em demasia os riscos – ou por não teres investido mais tempo a encontrar uma forma de os contornares.
Tal como em muitas outras coisas, uma abordagem profissional poderá ajudar-te (repara, tu estás a querer tornar-te num profissional, por isso começa já a comportar-te como tal!), pelo que investe algum tempo a desenhar uma tabela com os riscos potenciais e revê as tuas opções com os teus amigos e a tua família.
Vais ficar surpreendido com a quantidade de soluções que vais encontrar e muito mais motivado em perseguir as oportunidades que realmente queres agarrar.
Essa revisão vai-te deixar com um lista de oportunidades muito mais limitada, contudo muito interessantes para ti.
E como é que identificas as prioridades na preparação para as oportunidades profissionais que elencaste? O próximo artigo ajuda-te a encontrar a melhor oportunidade - rapidamente.